» Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
   
 


Se você está interessado em iniciar uma criação ou colocar sua cadela para cruzar e com isto ver uma linda ninhada nascendo, saiba que para isso acontecer, é necessário encontrar um macho que tenha boas qualidades nas características físicas e temperamentais, além de ter compatibilidade genética com sua cadela (ou com seu cão, no caso de você ter um macho). É importante se fazer uma analise do pedigree do possível padreador/matriz e seguir algumas dicas que damos a seguir:

• Padreadores
• Cruzamento - Linha de sangue
• Fêmea e o Ciclo Sexual
• Acasalamento

• Freqüência de Acasalamento
• Gestação e Parto
• Auxílio do Proprietário
• Cuidados com os recém-nascidos

PADREADORES

Quando se quer uma ninhada de raça pura, é preciso selecionar padreadores/matrizes com características externas (físicas) e internas (carga genética) comprovadamente enquadradas na configuração (padrão oficial) da raça. Assim algumas precauções devem ser com relação aos candidatos para acasalamento:

1) O cão/cadela não pode possuir defeitos congênitos como progmatismo, displasia coxo-femural, atrofia progressiva da retina (PRA), síndrome de Von Willebrand (hemofilia), sarna negra (mesmo sem desenvolver a doença), manorquitismo (testículo aparente), prolapso, epilepsia, defeitos de aprumo e criptorquidia, pois estes são passados de geração a geração.

2) Não deve possuir algumas características físicas depreciativas como angulação irregular do posterior, mau aprumo, cabeça mal formada, corpo desproporcional e lesões na pele.

3) Devem estar saudáveis e ter sido vermifugados e vacinados, além de mostrarem ótimo temperamento como ter valentia (e não agressivo), ser dócil com o dono e obediente aos comandos.

4) Não devem ter tido, em nenhum momento de suas vidas, males sexualmente transmissíveis como brucelose, herpesvirose canina, infecção bacteriana no útero no caso das fêmeas. Essa doença além de matarem a maioria dos fetos produzidos pela cadela, pode deixá-la infértil.

5) No caso da cadela, não pode ser gorda nem magra, e deve apresentar bom apetite. Seu único corrimento vaginal aceitável é o serossaguinatento normal no cio (aquoso, vermelho-róxo e sem odor forte).

CRUZAMENTO – LINHA DE SANGUE

O objetivo de um bom cruzamento é produzir cães que apresentem um tipo característico – detalhes físicos que diferenciam um cão do outro sem sair do padrão, é a verdadeira “marca registrada” de uma criação. E quando o tipo passa de geração para geração, dizemos que esses cães formam uma linha de sangue. É um desafio estar entre as “grandes” linhas de sangue, e para isso acontecer, é necessário se aprender muito – informar-se, acostume seus olhos a identificar os bons exemplos e suas nuances, conheça bem o padrão, visite exposições e canis, troque informações com criadores. Encontrar o animal ideal exige uma pesquisa cuidadosa.

A técnica de cruzamento que mais realça o tipo desejado é feita entre cães parentes – uma fêmea com um ancestral direto (pai, avô) ou descendente (filho, neto). Este tipo de cruzamento tem o nome de INBREEDING e é usada, geralmente, por criadores profissionais que procuram, com isso, fixar qualidades extraordinárias presentes nos padreadores. Mas o risco de exacerbação de más tendências e enfermidades congênitas também aumenta, ou seja, além das qualidades, os defeitos vêm à tona com maior intensidade.

Um cruzamento menos arriscado é o LINEBREEDING que consiste cruzar parentescos não diretos (tios, primos, e sobrinhos), que têm menor consangüinidade. Também tem condições de realçar as qualidades, mas também pode realçar os defeitos.

Por fim temos os cruzamentos OUTBREEDING (cruzamento de cães sem parentesco algum) e o OUTCROSSING (cruzamento de indivíduos sem parentesco entre si, mas cujos pais nasceram de cruzamentos consangüínea). A idéia é trazer para a língua de sangue qualidades que faltam. São considerados os mais recomendáveis, por se mostrarem mais seguras, com bons resultados previsíveis.

Se você é novato na criação, evite acasalamento consangüíneo; deixe-os para os especialistas. Para dominar a genética só com muito estudo, mesmo porque os erros custam anomalias aos cães gerados, como cegueira, surdez, defeitos ósseos, entre tantos outros. Há também o risco de se apostar numa linha e esta se revelar ruim, fixando mais defeitos que qualidades. Portanto sempre busque orientação no clube especializado da raça ou a assessoria de um criador experiente para ter um cruzamento adequado e curtir as lindas ninhadas que irão nascer.

A FÊMEA E O CICLO SEXUAL

As fêmeas geralmente apresentam seu primeiro cio por volta dos 6 a 12 meses. Este é caracterizado por sangramento vaginal e tem duração de mais ou menos 15 a 20 dias, repetindo-se a cada seis meses. Pode ser duvidoso em duas partes, para que seja mais bem entendido: nos primeiros nove dias (em média) ocorre sangramento e após o nono dia, o sangramento cessa e a cadela entra no período fértil, que dura mais ou menos seis dias, voltando a ocorrer novamente daqui a seis meses. Percebemos que o período fértil chegou quando a vulva incha e se posiciona e a cauda se desloca para o lado, ao passarmos a mão próxima à base. No entanto algumas cadelas não apresentam sangramento, tendo somente o que se chama “cio seco”, apresentando comente edema na vulva, que é o aumento de tamanho da mesma.

O cio da cadela cessa quando ela estiver entre 13 e 14 anos, mas em alguns casos, termina aproximadamente aos 10 anos. Ela serve como boa reprodutora até os oito anos de idade aproximadamente.

A melhor época para acasalar a fêmea é com 18 meses ou no caso, a partir do terceiro cio. Não se deve permitir o acasalamento no 1º cio, porque a cadela não está em desenvolvimento para uma gestação e se por ventura, houver a prenhez, corre-se o risco de a cadela ter insuficiência nas contrações uterinas, na dilatação da bacia, na produção de leite, sem falar que se corre o risco de perder a cadela e os filhotes no momento do parto.

CICLO SEXUAL DA CADELA

Fases

Duração

Características

Proestro

7-10 dias

Vulva edemaciada

Corrimento sanguinolento

O macho sente-se atraído

Recusa-se ao coito

Estro

5-10 dias

Perdas vulvares reduzidas

O macho se sente atraído

Reflexo de postura de receptividade ao macho

Metoestro

110 dias

Nidação, gestação, parto e lactação (ou PSEUDOCIESE).

Anestro

variável

Ausência de sinal externo

ACASALAMENTO

Tanto o macho quanto à fêmea estão maduros o bastante para a reprodução, a partir dos 18 meses de idade. No caso dos machos, embora alguns cães estejam habilitados a fecundar a fêmea já a partir dos oito meses, o acasalamento nesta fase não é recomendado, pois o desenvolvimento do cão pode ser prejudicado e sua estrutura pode ficar fraca, sem falar que a quantidade de espermatozóides no sêmen ainda é baixa, o que prejudica a fertilidade. Se ele começar a acasalar na época certa, se mostrará um bom reprodutor até os nove ou dez anos de idade, conforme a raça.

Quando já tem o macho na própria criação, então você tem um acasalamento concretizado, porque os dois estão no mesmo habitat. Então o primeiro passo é deixa-los sempre perto, pois segundo Dna. Araceli do Canil Aguascalientes, “assim como o humano existe a fase do namoro”. Caso você queira cruzar com machos de fora de sua criação, o ideal é que, antes de a fêmea estar nos dias férteis, você já tenha visto dois ou três candidatos ao acasalamento. Combine o acasalamento previamente com o dono do macho de sua preferência e confirmado o cio, avise-o logo para saber se da parte dele, o acordo continua de pé. Caso haja problema, ainda se tempo para agendar outro padreador. No caso do macho, ele também deve ser vermifugado pelo menos uma semana antes do acasalamento e estar com as vacinas em dia para se evitar qualquer problema de doença ou má formação do feto.

A receptividade da cadela ao macho acontece no período do cio em que ocorre a ovulação – num cio onde a duração é de 20 dias, o período fértil está compreendido entre o nono e o décimo dia ao décimo quarto e o décimo quinto dia a partir do primeiro dia de sangramento. Fora falar que a fêmea não aceita o macho antes do dia de início de sua fertilidade. Percebemos a chegada deste período quando a cadela posiciona a cauda para o lado, mostrando uma ascensão da vulva, ou seja, a vulva incha e se posiciona de forma a facilitar a cobertura. Então se o macho for de fora, ela está pronta para se apresentar a ele.

O local de acasalamento é combinado entre as partes – normalmente a fêmea é levada à casa do macho, mas o contrário é igualmente aceitável. Em alguns casos é mais provável que uma fêmea dominante aceite o macho se o território de acasalamento for o dele. Ambos podem ficar juntos a partir de um ou dois dias antes do dia fértil, para um melhor entrosamento, ou mesmo a partir do próprio dia. A cobertura é repetida de um a três dias seguintes para aumentar as chances de sucesso (o coito do mesmo par deve ser repetido após um período de 24 a 48 horas). No caso de ser da mesma criação, o macho e a fêmea, eles podem ficar juntos tranqüilamente, que no momento certo ela permitirá o acasalamento.

FREQÜÊNCIA DE ACASALAMENTO

Uma cadela pode ser acasalada a cada segundo cio. No caso, como geralmente ela tem dois cios por ano, terá um descanso intermediário e procurará apenas uma vez por ano – isso representa cinco ou seis gestações em sua vida útil como reprodutora. E no caso da fêmea de Fila Brasileiro, ninhadas que vão de 6 a 16 filhotes, dependendo da estrutura da mesma.

Se o criador não estiver atento e permitir acasalamentos e gestações consecutivas, as crias provavelmente serão fracas, mirradas e com alto índice de mortalidade, pois a cadela não está recuperada perfeitamente da gestação anterior e conseqüentemente seu organismo também não.

Para evitar acasalamentos indesejáveis, é necessário conter a cadela no cio, num canil fechado, com remédios/anticoncepcionais prescritos por veterinários ou no quintal, se o mesmo estiver convenientemente isolado, impedindo a entrada de machos e a saída da fêmea. A contenção deve durar no mínimo 20 dias, a partir do primeiro dia de sangramento.

GESTAÇÃO E PARTO

A gestação se inicia logo após a fecundação, ocorrida no acasalamento e pode durar de 58/59 a 63/64 dias. Neste período a cadela tem de ficar separada no cantinho dela ou num Box só para ela, a fim de evitar a interrupção da gravidez por eventuais brigas. Deve-se também lhe dar mais comida, de acordo com o apetite – ração de 1º linha, a quantidade sempre um pouco mais do que ela costuma comer (consome cerca de uma vez e meia o que comia normalmente) e divida em 3 vezes ao dia, com água sempre limpa e fresca. Ela deve ter o acompanhamento de um veterinário, pois o mesmo poderá, eventualmente recomendar vitaminas e cálcio, além de lhe dar instrução sobre o parto.

A cadela gestante não pode contrair nenhuma doença neste período, já que qualquer que fosse o tratamento resultaria em conseqüências prejudiciais aos fetos. Portanto, a higiene da cadela e do local onde ela fica, precisa ser rigorosa a fim de evitar a ocorrência de bicheiras, excesso de moscas, pulgas ou carrapatos. Ela também não pode, em hipótese alguma, tomar chuva ou permanecer em locais úmidos.

A maior tensão da procriação costuma ser na hora do parto. O acompanhamento da cadela durante a gestação é sempre normal, contudo quando vai chegando o dia de ela dar cria, cerca de dois dias antes, ela mostra-se apreensiva, procurando um local para dar à luz. Observe os seguintes sinais:

1) Falta de apetite;
2) As mamas enchem e o leite já está vazando;
3) Começa a ficar mais deitada, lambendo-se muito, fazendo uma higiene geral;
4) Há uma queda na temperatura do corpo, de 38,5 °C para 37,5 °C ou mesmo 37 °C;
5) Sai o tampão (liquido transparente, espesso).

Daí começam as contrações e o trabalho de parto. Aparece o primeiro filhote e a fêmea logo deve lambe-lo para limpá-lo e estimular a respiração e, depois, cortar com os dentes o cordão umbilical. Se ela não o fizer, você deve estar orientado pelo veterinário sobre como faze-lo. Entre o primeiro e o último nascimento pode demorar até 12 horas – a maioria das cadelas Fila consegue fazer o parto sozinhas, mas é bom estar por perto e acompanhar tudo da melhor forma, para não perder filhotes, por algum descuido ou problema da mãe. Eles devem nascer em intervalos jamais superior a 2 horas e caso perceba que isto vai acontecer, acione o veterinário, pois pode haver a necessidade de se fazer uma cesariana. Do contrário há risco de vida para a mãe e para os filhotes.

Quando se encerra o parto, a cadela apresenta comportamento tranqüilo, as contrações cessam e o animal entra em estado de sono profundo, podendo recusar a alimentação nas 24 a 48 horas seguintes, por ter comido as placentas. Depois deste período, seu apetite volta dobrado.

AUXÍLIO DO PROPRIETÁRIO

Convém que o proprietário da cadela esteja presente desde o início do processo de parto e pronto para agir caso surja alguma complicação. Se a cadela já enfrentou problemas de parto anteriormente, é melhor contar com a presença de um veterinário. Caso contrário, o profissional deve ser chamado apenas se não houver seqüência do parto seis horas após o nascimento do primeiro filhote ou após as primeiras contrações.

Se notar que o limite de cinco minutos entre o aparecimento da bolsa placentária e a efetiva expulsão do feto foi ultrapassado, a pessoa presente deve puxar com cuidado o filhote, sem comprimi-lo. Tal procedimento de tração será repetido até o nascimento do último filhote.

Cadelas nervosas ou tímidas poderão deixar de tomar os cuidados comuns após o nascimento. Então, caberá ao criador ou ao veterinário presente executar algumas tarefas imprescindíveis. Ele deverá envolver cada recém-nascido numa pequena toalha limpa e, sem perda de tempo, perfurar a bolsa placentária com o dedo, descobrindo em prosseguirá enxugando todo o corpo (coloque o filhote de cabeça baixa, desde o início da operação).

A seguir, deve amarrar o cordão umbilical com linha grossa a um ou dois cm do corpo, cortar o excedente com uma tesoura desinfetada e passar tintura de iodo a 1%. Então, o filhote estará pronto para ser colocado próximo ao ventre da mãe.

O proprietário com prática pode também proceder a uma palpação abdominal, no fim aparente do parto, para constatar se ainda existe algum filhote no ventre. Quando a verificação não é conclusiva, convém procurar o veterinário para a confirmar a conclusão do parto.

CUIDADOS COM OS RECÉM-NASCIDOS

Após o parto, os recém-nascidos tornam-se o centro das atenções. Embora menos dependentes que os seres humanos, por exemplo, os filhotes também precisam de cuidados logo após o nascimento. Portanto o criador precisa estar atento ‘as necessidades da prole.

Inicialmente o local onde está a fêmea com os filhotes deve ser vistoriado periodicamente – evite infecção e preserve a defesa imunológica da mãe e dos filhotes, mantendo-os em ambiente limpo e arejado, mas sem correntes de ar. Isso significa que a cadela terminou de dar cria, procure limpar, secar e arrumar um local para ela e os filhotes. No dia seguinte, dê um “banho de bumbum” na fêmea, no momento após a mamada quando os filhotes estão dormindo, que é justamente para limpa-la do sangue e das secreções que ficaram grudados na traseira, vulva e no pêlo. Isso é muito importante porque se algum mosquito pousar, pode haver o desenvolvimento de bernes ou bicheiras, já que a cadela está suja e com odor, o que atrai insetos.

Nos filhotes, a cadela incentiva à defecação e a micção, lambendo-lhes a região do púbis, quando eles acabam de comer. Na falta da mãe, o criador deve estimular os filhotes passando um algodão umedecido com água morna na região anal, após a refeição. Completadas três semanas de vida, quando já abriram os olhos e começam a explorar os arredores, os filhotes efetuam suas necessidades fisiológicas sem estímulo externo.

Não afaste a mãe dos filhotes na semana posterior ao parto, pois sua presença é fundamental para manter os filhotes aquecidos e bem alimentados. Durante os cinco primeiros dias de vida do animal, sua temperatura corporal está diretamente relacionada com a temperatura do ambiente que, portanto, deve ser mantida em cerca de 28 °C, na primeira semana. Os filhotes que se afastarem da mãe devem ser colocados pertinho dela para não morrerem por queda de temperatura corporal. Quando o número de filhotes é maior que o de tetas, deve-se reveza-los nas tetas pelo menos seis vezes por dia, durante as mamadas, para ter certeza que todos mamem, e cuidar para os menores não perderem a teta para os maiores e conseqüentemente ficarem desnutridos.

Os filhotes devem ficar junto à mãe até, pelo menos, os 30 dias, quando se é iniciado o desmame. Dá-se um pouco de ração moída, sem separa-los da mãe – será preciso ver se todos comeram, limpa-los após as cinco refeições diárias para evitar a aproximação de moscas e secá-los para não aparecerem micoses devido à umidade. A partir dos sete dias, se as unhas estiverem grandes, será preciso corta-las para não machucar a mãe. O aumento da comida é gradativo ao mesmo tempo em que as mamadas vão caindo até os 45 dias, quando a cadela já não quer dar de mamar devido aos dentes machucarem suas mamas.

Quando eles estão com aproximadamente 15 dias, deve-se iniciar a vermifucação (no caso da mãe também) e depois de uns 10 dias dar a segunda dose – converse com o veterinário para saber qual o melhor vermífugo para esta idade. Aos 40 dias é o momento de eles tomarem a 1° vacina – octupla que geralmente não dá reação.

O umbigo deve ser tratado com iodo até a completa cicatrização (aproximadamente oito dias) – em alguns casos, o umbigo fica úmido o que causa a proliferação de fungos e conseqüentemente uma infecção que pode levar o filhote à morte.

Terminado o desmame os filhotes devem ficar separados da mãe, no caso de ser um canil ou então, terem mais espaço para andarem e explorarem o território. As refeições devem ser dadas em separado da fêmea e o ritmo de refeições ao dia continua sendo o mesmo. Geralmente os criadores liberam os filhotes para os novos donos com 60 dias, pois ele está mais maduro, já come ração e estão independentes da mãe. Os compradores potenciais devem ser atendidos e orientados para que possam ter um filhote sempre saudável.

 

 

 

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