» Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
   
 


O cão é um animal essencialmente carnívoro, e sua dentição está adaptada a isso. Os incisivos e os caninos, desenvolvidos para a apreensão e imobilização; pré-molares e molares, para dilacerarem e rasgarem carnes, ossos, pele e pêlos. Por isso, alguns criadores lançam mão de uma alimentação essencialmente de carne, e isto é inadequado, devido às carências vitamínicos, minerais e a quase ausência de resíduos intestinais, o que dificulta a movimentação peristáltica por falta de estímulo volumétrico.

O cão domesticado, por sua íntima associação com o ser humano, é uma das espécies canídeos que se tornou menos carnívora, no que diz respeito à capacidade digestiva. Nesse particular, assemelha-se muito a outros mamíferos e o seu estômago monogástrico efetua uma digestão parecida com a do homem, necessitando também de água, calorias, proteínas, gordura e sais minerais.

A alimentação canina se torna, então, uma via de mão dupla. Traz saúde, disposição, longevidade e beleza quando é de qualidade. Porém, a falta ou excesso de nutrientes pode atropelar tudo isso, e as doenças se aproximarem tornando a vida abreviada e infeliz. Vemos que as necessidades alimentares dos cães são tão complexas que seria de bom senso o criador que vende o filhote fornecer ao futuro proprietário uma lista dos alimentos que vem dando ao cão. Assim se evitariam modificações bruscas nos hábitos alimentares, que viriam a se somar à transferência de habitat, por si só um tanto traumático.

Alimentação Caseira X Alimentação Artificial (Ração)

A alimentação caseira, por mais variada que seja, dificilmente fornece ao cão todos os nutrientes que necessita. A combinação clássica de carne, arroz e legumes são totalmente desbalanceados. Para começar, a carne, seja qual for, é pobre em cálcio e rica em fósforo; assim se a carne for a única fonte de cálcio, os ossos do cão serão afetados. A falta desse mineral prejudica não só os cães em crescimento, levando-os ao raquitismo, como também dificulta a consolidação óssea em cães adultos que sofreram alguma fratura.

Os vegetais, apesar de importantes ao homem, têm pouco valor nutricional para os cães, que sequer conseguem digeri-los completamente e aproveitá-los. Dão mais consistência às fezes, mas quando em excesso interferem na absorção dos nutrientes e causam diarréia. E o arroz e demais cereais, embora excelentes fontes de carboidratos (energia), são de difícil digestão para o cão devido ao amido, se não forem muito bem cozidos. Por outro lado, o excesso de cozimento elimina boa parte das vitaminas e minerais.

Se optar pela alimentação caseira, lembre-se que, no caso, um severo balanceamento dos nutrientes torna-se imprescindível. Pode-se optar por alimento pronto, que é uma refeição de tipo caseira congelada e acrescida de vitaminas e minerais, que oferece os nutrientes mínimos recomendados. Hoje pode ser encontrada à venda em pet shops. Se optar por fazer, converse com um veterinário que poderá tornar a alimentação caseira mais completa, indicando um complexo vitamínico e mineral para ser acrescentado à refeição.

A alimentação artificial ou ração frente a pesquisas realizadas são consideradas hoje mais saudáveis, mais completas e mais balanceadas que a alimentação caseira. São também mais práticas e mais econômicas comparando-se os gastos que se tem. Na sua composição entram produtos de origem animal e vegetal, em concentração que variam conforme a finalidade da ração – adultos, filhotes, idosos, etc.

Apresentamos a seguir quais são e para que servem os ingredientes de uma ração:

Farinhas de carnes variadas, de vísceras e de soja, ovo em pó e carne desidratada fornecem em maior parte proteína, essencial para a formação e manutenção das células dos órgãos, ossos, músculos, sangue, hormônios e enzimas. A falta pode provocar perda de peso, fraqueza e queda do sistema imunológico.

Cereais (grãos) de modo geral são fontes de carboidratos, importantes fornecedores de energia (calorias), necessária ao trabalho muscular e para função como a respiração e a manutenção da temperatura corporal.

Gorduras de origem animal e vegetal oferecem mais que calorias; facilitam a absorção das vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura), como a A, D, E e K. A falta retarda o crescimento dos filhotes e provoca reflexos imediatos na pele e nos pêlos.

Farinha de ossos e complexo de minerais são fontes de minerais como cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, cloro, manganês, cobre, zinco, iodo, sódio e selênio. Cada mineral cumpre várias funções no organismo, entre elas auxiliar a digestão, favorece o crescimento, promover a saúde da pele e da pelagem, aumentar a resistência a doenças, manter o bom funcionamento cardiovascular, favorecer a eliminação de elementos inúteis ao organismo e auxiliar a cicatrização de ferimentos.

Complexos vitamínicos são elementos essenciais à vida, que intervêm na coagulação, ossificação, visão, crescimento, contração muscular, respiração e regeneração celular. Abaixo descrevemos os principais:

Vitamina A = melhora a atividade visual, dá resistência à infecção, favorece o crescimento e a integridade das células da pele e participa do crescimento dos ossos e dos dentes.

Carência = ulcerações na córnea, lesões de pele, perda de apetite e infecção.

Excesso = queda de dentes, gengivite, fadiga, problemas ósseos.

Vitamina B1 (tiamina) = estimula o crescimento, favorece os músculos e o sistema nervoso. Realiza o metabolismo dos carboidratos.

Carência = transtornos gastro-intestinais, anorexia, debilidade, desordens neurológicos.

Excesso = é eliminado pela urina.

Vitamina B2 (riboflavina) = participa ativamente do crescimento das células. Contribui para a saúde da pele pelagem e unhas.

Carência = lesões oculares, lesões na pele, inibe o crescimento celular.

Excesso = não há evidências de efeitos tóxicos.

Vitamina B6 (piridoxina) = essencial para vários processos químicos orgânicos.

Carência = perda de peso, dermatites, anemia, distúrbios do crescimento.

Excesso = distúrbios neurológicos.

Vitamina B12 (cobalamina) = intervém no metabolismo dos carboidratos e das gorduras e na síntese da mielina (componente do tecido nervoso), previne a anemia e favorece o crescimento.

Carência = anemia, degeneração neurológica, falta de crescimento.

Excesso = não há evidências.

Vitamina D = estimula a absorção do cálcio e do fósforo para formar e manter ossos e dentes fortes.

Carência = raquitismo na fase de crescimento, tetania (estado de contração prolongada de um músculo quando submetido a uma rápida sucessão de estímulos).

Excesso = calcificação (enrijecimento dos pulmões), rins, estômago e deformações nos dentes e nas mandíbulas.

Vitamina E = retarda o envelhecimento, protege os pulmões, aumenta a função reprodutora e prevenção das distrofias musculares.

Carência = problemas musculares, reprodutivas, nervosas e vasculares.

Excesso = distúrbios na atividade da tireóide e na coagulação do sangue.

Vitamina K = auxilia na formação de protombina no fígado.

Carência = hemorragias e falta de coagulação do sangue.

Excesso = anomalias sangüíneas como a anemia.

Niacina = está relacionada com o nível do aminoácido triptofano que pode ser transformado em vitamina.

Carência = inflamação e ulceração na cavidade oral. Saliva grossa e fétida, misturada com sangue.

Excesso = provoca nervosismo exagerado.

Biotina = funciona como enzima necessária a metabolização do grupo carbóxilo ( CO2). Sua falta no organismo é rara

Carência = redução de incorporação de aminoácidos às proteínas, além de dificuldades na utilização de glicose e na síntese de ácidos de gordura.

Excesso = não há indícios.

Ácido Fólico = é produzido pela síntese bacteriana, no intestino do cão, interfere na eritropiese.

Carência = provoca anemia e leucopenia.

Excesso = não há indícios.

Colina = integra os fosfolipídios, componentes essências das membranas celulares.

Carência = não há indícios.

Excesso = não há indícios.

Vitamina C = papel importante no transporte do ferro, atua no crescimento epitelial dos vasos e auxilia no crescimento ósseo.

Carência = atraso na cicatrização, fragilidade capilar, hemorragia gengivais.

Excesso = não há indícios.

Ácido Pantotênico = atua no metabolização dos carboidratos, dos aminoácidos e das gorduras.

Carência = incoordenação motora, distúrbios gastro-intestinais, nanismo, queda de pêlo.

Excesso = não há indícios.

Vitamina PP = intervém na síntese e desintegração de carboidratos, álcoois e graxos.

Carência = pelagra, astenia muscular, diarréia.

Excesso = não há indícios.

A alimentação e suas fases

1) Alimentação do recém-nascido

O ideal é que o filhote receba o aleitamento materno até, no mínimo, o trigésimo dia de vida. Mas alguns fatores – como falta de zelo materno, enfermidade ou morte da cadela, quantidade insuficiente de leite – podem obrigar o proprietário a suspender ou complementar o aleitamento materno.

A melhor alternativa, no caso, seria encontrar outra cadela em fase de amamentação, com poucos filhotes, que pudesse servir de ama-de-leite. Caso não se encontre a mãe adotiva, a opção é o leite artificial – hoje existe leite em pó próprio para o consumo canino, que é vendido em lojas especializadas (pet shops). Ao preparar, respeite as concentrações indicadas pelo fabricante. A quantidade de leite a ser administrada é proporcional ao tamanho do filhote, variando de três ml a 50 ml por vez e mamadas com intervalos de 2 a 4 horas.

Desmame (adaptação alimentar)

Após os trinta dias de aleitamento, o filhote já está apto a comer papinha de ração. A substituição deve ser progressiva e intercalada com o aleitamento.

Faça uma papinha com ração para filhotes triturada em liquidificador com um pouco de água ou leite. Sirva esta mistura de quatro em quatro horas, orientando o filhote para sentir o sabor da comida (inicialmente dê em pequenas porções na boca do cão). A água deve ser oferecida sempre fresca, em recipiente apropriado e de fácil acesso.

A boa condução dessa fase propicia uma satisfatória aceitação de alimentos sólidos. Sem que um apetite seletivo prejudique a desenvolvimento do cão. Se não conseguir resultados positivos na adaptação alimentar do filhote, procure orientação veterinária.

Alimentação do filhote.

O filhote após o total desmame até os dois meses, deverá fazer cinco refeições diárias inicialmente com a papa já indicada, mas progressivamente vá retirando a água da papa, a fim de que o alimento adquirindo cada vez mais consistência.

A quantidade ideal de alimento que será servido ao filhote vem prescrita na embalagem de ração.

Alimentação do cão em desenvolvimento

Durante a fase de crescimento do animal, a atenção do proprietário deve estar voltada, sobretudo para sua alimentação. Uma dieta mal adaptada, desequilibrada, insuficiente ou excessiva pode causar inúmeras enfermidades.

Esta fase pode durar de oito meses (raças pequenas) até vinte e quatro meses (raças grandes). É quando as necessidades nutricionais são maiores. Portanto se notar deformação óssea, pelagem sem brilho, obesidade, emagrecimento, crostas na pele, diarréia ou outros sinais de deficiência ou má absorção de nutrientes, o proprietário deverá consultar sem perda de tempo um veterinário.

O filhote precisa de mais proteína para construir seus músculos e órgãos; mais gordura para compensar os gastos de energia e mais minerais, como cálcio e ferro, para desenvolver ossos e dentes. A ração de crescimento deve conter mais proteína animal que cereais devido a maior dificuldade dos filhotes digerirem o amido dos cereais.

As refeições devem seguir o seguinte critério:

- Dos dois aos quatro meses = 4 refeições diárias;
- Dos quatro aos seis meses = 3 refeições diárias;
- Dos seis meses em diante = 2 refeições diárias.

Alimentação do cão submetido a esforço físico

Cão de trabalho aumentam o gasto de energia (gordura e proteína) e precisam de minerais e vitaminas em proporções ligeiramente diferentes, pois suas carências energéticas são bem maiores que as do que vivem em casa.

Neste caso, convém dar o alimento em pequenas quantidades, durante os períodos de descanso, deixando-se a refeição principal para o final do trabalho.

Antes de iniciar o trabalho, o cão deve receber apenas alimentação leve, pois o estômago cheio prejudica o desempenho sem falar que pode dar torção gástrica. Não se deve esquecer de lhe dar água em abundância, durante o trabalho, e suas refeições diárias devem ser feitas três vezes ao dia.

Alimentação da cadela gestante e lactante

As rações de crescimento são indicadas para os períodos de gestação e lactação. No caso da cadela prenha, se ela estiver em bom estado de saúde, raramente necessitará de uma alimentação especial durante a gestação, realizando suas refeições três vezes ao dia, com intervalo de seis horas entre uma e outra refeição.

A produção de leite em quantidade e qualidade adequada está diretamente relacionada com seu estado de saúde e com a alimentação recebida. A cadela deve comer, digerir e converter grandes quantidades de nutrientes a fim de produzir o volume suficiente de leite na qualidade ideal para o crescimento e desenvolvimento dos filhotes.

A proteína será de suma importância nessa fase e as refeições deverão continuar três vezes ao dia. Alguns criadores complementam a refeição dando leite para as cadelas a fim de supri-las de cálcio e aumentar a produção de leite.

Alimentação do cão idoso

A partir dos oito anos é ideal oferecer proteína animal de qualidade, em dose baixa, para prevenir a insuficiência renal e reduzir a gordura para aumentar a longevidade.

O ideal é conversar com o veterinário a respeito a fim de ele prescrever uma dieta balanceada e em quantidades adequada, para que não haja sobrecarga no organismo do cão.

Alimentação do cão enfermo

O organismo do cão enfermo apresenta reação fisiológica que exigem um atendimento nutricional específico para que o equilíbrio seja novamente alcançado – ele usa mais enzimas e os nutrientes necessários para produzi-las (proteínas, vitaminas do grupo B) devem aumentar na mesma proporção.

Para reagir a doenças infecciosas, o sistema imunológico se vale da síntese da imunoglobulina a fim de aumentar seu metabolismo. Assim, faz-se necessário um volume adequado de proteínas, bem como a ingestão balanceada de nutrientes essências, com destaque para as vitaminas.

Em síntese, cada doença implica uma situação de estresse associada a sobrecargas de determinadas funções metabólicas e exige uma dieta especial para compensar o esforço extra. O veterinário orientará o dono do animal sobre o tipo, a quantidade de alimentos, o número de vezes que deve ser dada. O fator digestibilidade é muito importante. O organismo do cão precisa tirar o máximo proveito dos alimentos consumidos, assim a última palavra cabe ao veterinário, que poderá inda, recomendar uma suplementação de vitaminas e sais minerais.


 

 

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