» Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
   
 


Dentre todos os animais domésticos, o cão e o que mais se tem se revelado amigo do homem e de seus familiares. Portador de uma bondade congênita, quase sempre, quando isto não acontece, a culpa é do próprio homem. Isso porque a melhoria do relacionamento entre o homem e o animal é realizada por meio de experiências repetidas, conseguindo um condicionamento do cão o que torna a convivência entre ambos agradável e produtiva. Se as experiências repetidas forem desagradáveis e torturantes ao animal, dificilmente se conseguirá um bom entrosamento – ninguém gosta de ser maltratado.

Há fundamentalmente, dois recursos que são utilizados na educação de um cão: a experiência e os instintos básicos. Pela experiência, o cão adquire hábitos e pode ser condicionado a responder de forma adequada aos desejos de seu proprietário. A eficiência do treinamento canino dependerá da inteligência do homem, de como ele organizará e possibilitará situação de aprendizado ao seu animal – questão como a finalidade e respeito aos limites de aprendizado devem estar muito claras ao homem para que haja sucesso na tarefa.

Já os instintos básicos dos cães geram ações que não precisam ser ensinadas, e sim compreendidas – comer, reproduzir, sobreviver, defender seu território são instintos que devemos aproveitar.

Educar seu cão significa prepara-lo para a sociabilidade e suas convenções; é torna-lo apto a conviver em harmonia com outros animais ou seres humanos que não façam parte de seu círculo de convivência. Já adestrar significa molda-lo, condiciona-lo a realizar um determinado comportamento que dependerá do tipo de trabalho que se espera que o cão realize do seu temperamento e até da sua raça. Neste caso, ele só poderá ser adestrado para defender uma propriedade ou pessoas se estiver rigorosamente sob controle de seu criador – o objetivo não pode ser o de criar cães mordedores, o que colocaria em risco a sociedade e seu próprio criador. O cão naturalmente defende seu território e isso é aproveitado no adestramento para defesa de guarda. A partir disso, o cão deve aprender a distinguir um inimigo de uma pessoa aceita pela família e a agir com prontidão em uma situação de risco. A atitude de um cão de guarda é defensiva, ou seja, a iniciativa do confronto terá sempre que partir do possível invasor.

ADESTRAMENTO DO FILA BRASILEIRO

Quando o assunto é adestramento para guarda do Fila Brasileiro, as opiniões se dividem. Para a maioria dos criadores, o Fila já nasce com o instinto para a guarda e não necessita de adestramento para exercê-lo – o criador Miguel Vieira no livro “O grande Livro do Fila Brasileiro” de Procópio do Valle, Enio Monte e colaboradores, diz que (...) “o Fila encontra-se sem dúvida como opção segura para aqueles que procuram temperamento corajoso e equilibrado, procedimento calmo, rusticidade e adaptação à vida em família. Um guardião seguro, um amigo dedicado, inteligente e obediente – assim é o Fila Brasileiro, cuja presença e conduta são colocadas em dignidade, pureza de índole e instinto de proteção”.

O Fila é considerado um animal de grande aproveitamento, que tanto serve para guarda, como para trabalho e companhia. Assim o adestramento não se faria necessário. Contudo, alguns são partidários do adestramento como uma forma de correção do temperamento do cão – para cão de temperamento fraco serviria para atacar sem ter medo. Já para os cães muito agressivos, ajudaria a abrandar o temperamento, não se tornando, portanto, cães feras, fora de controle dos seus donos.

A agressividade no Fila é nata e sob adestramento, ele vai atacar e largar na hora em que lhe for ordena do faze-lo, sem maiores problemas. Contudo a participação do dono é vital nas aulas para que cão aprenda também a obedece-lo e não somente ao adestrador.

A maioria dos criadores acredita que, para o Fila ser um bom cão de guarda – sendo adestrado ou não –ele não deve ter contato direto com estranhos e sim, só com pessoas da casa. O cão em contato freqüente com pessoas desconhecidas não saberá, quando estiver vigiando um local, se deve atacar ou não estranhos invasores, pois estará acostumado à presença deles.

A eficiência da raça na guarda também é maior, segundo alguns criadores, quando é utilizado um casal de Filas – a cadela é mais atenta e fica menos parada; o macho, mais bravo. Uma dupla ideal, mesmo porque se pode evitar o velho truque dos assaltantes de levar uma cadela no cio para atrair a atenção do cão. Mesmo que o macho se distraia, a fêmea não o fará e partirá para a briga.

Com relação ao local, o Fila só faz a guarda no lugar em que está acostumado a viver, pois o considera como seu território. Para que ele vigie um outro lugar diferente é preciso que se adapte a ele, com o tempo, ou que seja adestrado para fazê-lo.

Por fim, se você resolver adestrar seu cão Fila, procure um treinador que possa apresentar referencias de sua capacidade profissional. Isso porque há muitos curiosos e amadores que se apresentam como adestradores. Iludem o proprietário mostrando como o cão obedece ao comando de “ataque!” e na verdade, esta é uma atitude inata do animal.

Um bom treinamento deve induzir o cão a obedecer com alegria e confiança e jamais por estar sob pressão ou medo de castigo. Lembre-se que um adestramento bem conduzido traz resultados compensadores – o cão saberá que deve atacar quando necessário e você terá um amigo que poderá circular livremente pela propriedade e não uma fera neurótica condenada a viver enclausurada para que se evite uma tragédia.

A VISÃO DE UM CRIADOR

“Perguntamos: adestrar ou não? A resposta sempre será afirmativa, pois, inegavelmente um cão adestrado sempre será mais fácil de ser manuseado, bem como nos dará maior confiança e segurança em todos os sentidos”.

Devemos adestra-lo para ataque? Endentemos que sim, pois um cão bem adestrado será mais facilmente interrompido em caso de um ataque inadequado, bem como aquele exemplar que é um pouco tímido, se desinibirá durante os treinamentos e adquirirá uma dose de confiança que realçará seu equilíbrio comportamental.

Devemos adestra-lo para não aceitar comida de estranhos? É evidente que sim, pois dessa forma o estaremos resguardando de um possível envenenamento ou intoxicação.

Quando devemos adestrar o Fila Brasileiro? O Fila é treinado para:

1) Uso de coleira ou enforcador a partir dos dois meses;
2) Higiene a partir dos três meses, comece esse treinamento colocando no lugar desejado uma folha de jornal e espere que ele faça suas necessidade. Lembre-se que você ganhará um animal pelo carinho e paciência, portanto agrade-o sempre que acertar;
3) Exposição a partir dos quatro meses;
4) Socialização a partir dos quatro meses;
5) Ataque e guarda a partir dos sete meses.

Os diversos tipos de treinamento para o Fila Brasileiro.

O treinamento para o uso de coleira ou do colar enforcador é iniciado a partir dos dois meses, pois, nessa época começa-se a acostumá-lo gradativamente com o peso e o uso desses equipamentos. Esse treinamento é o primeiro degrau da escada do adestramento para “OBEDIÊNCIA”.

O treinamento para a higiene inicia-se a partir dos três meses, devendo o proprietário fiscalizar o filhote de Fila Brasileiro após as refeições para que quando o filhote for defecar ou urinar, seja conduzido até o local previamente escolhido para servir de “sanitário”. Observando sempre a principio de que no acerto o cão deverá ser elogiado com o “muito bem, Totó”, ou “muito bem, Fido”, ou etc.

O treinamento para exposição inicia-se por volta dos quatro meses, em virtude de que o filhote para participar de exposição deverá estar com o esquema de vacinação completo, bem como essa é a idade mínima permitida para cães participarem de exposição da CBKC.

O treinamento para a socialização inicia-se conjunta e paralelamente ao treino para exposição, pois é um complemento, visto que nos locais de exposição o filhote de Fila Brasileiro terá contato com muitas pessoas estranhas ao seu relacionamento e convívio, bem como com outros cães.

O treinamento para obediência inicia-se por volta dos seis meses, com guia e sem guia, são comandos básicos, tais como: “senta”, “deita”, “fica”, “aqui”, “junto”, e outros.

O treinamento para ataque e guarda inicia-se por volta dos sete meses em virtude de que a maioria dos filhotes de Fila Brasileira começa, nessa idade, a demonstrar ojeriza ou aversão por estranhos (alguns filhotes são mais precoces, outros retardam essas demonstrações). Esse treinamento é sempre aconselhável ser dirigido por um profissional do ramo, pois, envolve alguns riscos e deve sempre ser acompanhado pelo dono, com quem o Fila Brasileiro tem um desempenho maior e se sente melhor. Sendo importante ressaltar que para esse treinamento deverá ser precedido o de obediência, iniciado aos seis meses.

O treinamento para exercícios de faro e busca, atualmente, não são muito comuns para o Fila Brasileiro em virtude de que ele muito raramente será utilizado nessas funções nos dias de atuais.

Por último, gostaríamos de falar sobre algumas siglas atinentes ao assunto (adestramento) que são: CA (cão adestrado; CAB (cão adestrado básico); CG (cão de guarda); CG1 (cão de guarda nível um); CG2 (nível dois); e CG3 (nível três). Além dessas siglas, outras raças utilizam siglas diferentes, sendo algumas com significado semelhante aos aqui inseridos.

Alguns criadores de Fila Brasileiro irão contestar, dizendo que o ataque no Fila é inerente, bem como sua defesa aos membros da família (os quais ele considera como membros da sua matilha), entretanto, devemos sempre atentar para o fato de que um Fila Brasileiro bem adestrado aumentará sua condição de bem conviver com seu dono e terá maior condição de agir dentro das expectativas que nós esperamos dele.

Paciência, Persistência e Perseverança, os três segredos para o sucesso no adestramento.

Para o proprietário que desejar consulta bibliografia a respeito, recomendamos a edição especial de “Cães & Cia de adestramento passo a passo”.

Virgílio de Martella Orsi, Major.
Canil Vale do Aricanduva

 

 

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